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(CULTURA: CAUSO - O Ladrão famoso da Rua Tamandaré)
CULTURA: CAUSO - O Ladrão famoso da Rua Tamandaré
24/06/2015 | Por:João Roberto R. P. Teixeira - Redação IGuanambi    

O imaginário popular e a criatividade que nasce regada pelo medo e o pavor social levado de boca em boca, cria situações bastante cômicas. Certa ocasião, quando eu ainda era criança, tinha exatos seis anos de idade, era o ano de 1986, e eu morava na Rua Tamandaré, no Bairro Vila Nova, bairro mais antigo e tradicional de Guanambi. 

A rua era um recanto tranquilo, casas de família, a venda de um senhor chamado Gentil e uma outra de Valdir, eram os locais comerciais mais próximos na rua de cima. Dois barzinhos, o de Zezão, que tinha uma mesa de totó e outra de sinuca, além do bar de Belarmino e uma serraria de Seu Dema se misturavam entre as casas de família. Lá na extremidade da rua, de frente ao Bar do Zezão, uma nascente d’água, corria noite e dia e algumas amendoeiras, tradição na época, eram as poucas árvores que davam uns filetos de sombra para os passeios largos das casas. Naquela época não existia alarme, cerca elétrica, os muros eram baixos, as casas dormiam abertas e ninguém mexia em nada. A rua tinha muitos cachorros e os latidos eram mais pelas travessuras da meninada que vivia aprontando ou brigando nos jogos de bola.

Mas este clima provinciano e de tranquilidade de um bairro de cidade do interior foi quebrado em uma noite do mês de abril, mais precisamente no dia 05 de abril de 1986, tudo iniciou com umas pisadas que marcaram o muro lateral da casa de Dona Zinha, vizinha parede e meia de minha avó Jesuína, que tinha uma forte personalidade e era bastante intempestiva.

Estas pisadas pequenas, ao todo quatro marcas, davam a entender que alguém tinha escalado o muro que dividia as duas casas, e daí em diante, um alvoroço tomou conta da rua, e logo correu a notícia de que um ladrão estava rondando as casas, quebrando a paz da então pacata rua Tamandaré. A notícia correu a cidade e as pessoas vinham de longe para saber da historia do tal ladrão, até o locutor Eurico Silva, que até hoje mora na Rua Castro Alves, abaixo da Tamandaré e tinha o programa de maior audiência na Rádio Cultura foi averiguar as pegadas do dito cujo, com tudo isso, muitas historias foram disseminando, do tipo: 

- “Este ladrão entrou na casa de Seu Manoel, e roubou todas as roupas do varal”, dizia um na porta do boteco de Zezão.

Tomada pelo pavor, certa noite, dona Julia rezadeira um dia saiu correndo só de anáguas pela rua e gritava desesperada: Socorro!! O ladrão pulou no meu quintal e tentou roupar as minhas panelas!!

E assim, as famílias não dormiam mais tranquilas. A coisa tomou uma proporção inimaginável, um dia aparecia historia de roubo do tal ladrão na Rua Tamandaré, na Rua Castro Alves e  até na Tiradentes, segundo o povo, de tudo o tal ladrão roubava, desde bandas de rapadura, caçolas que secavam de madrugada no varal, chapéus, panelas e tudo que vinham na mente e nos causos alarmantes que as pessoas contavam pelas esquinas e portas dos botecos.

Logo após o início dos roubos, a minha avó começou, bem do seu jeito pouco tranquilo, a recomendar cuidado das mães de família. Me lembro que as crianças não dormiam mais sozinhas, as portas ganharam trancas enormes e pedaços de madeira atravessavam as janelas. 

Um dia saiu uma historia de que o tal ladrão soprava uma fumaça pelo buraco da fechadura e todos dormiam. Entrava, ligava liquidificador, fazia vitamina, merendava e depois saia, na maior tranquilidade!

Algumas noites, os homens da rua e um monte de gente, saiam a procura do meliante e ninguém não dormia tranquilo de tanto medo. Lá em casa mesmo, minha mãe nos colocava todos num quarto e sentava na cama rezando a noite todinha, quase até o dia amanhecer. Era comum ver crianças chorando de medo e rapazes já adolescentes dormindo na cama dos pais.

Quando a noite caia, a rua ficava deserta e as portas e janelas das casas ficavam recheadas de panelas, caçarolas, garfos e facas, tudo que fizesse barulho, para no caso do ladrão tentar abrir, desabar no chão e fazer muito barulho para assustá-lo.

No dia seguinte, era aquela resenha na cidade:

- “Forçou a porta da casa de fulano e derrubou tudo... ele correu!” – dizia um.
- “Fez vitamina de abacate e bebeu na casa de cicrano e ninguém acordou” – completava o outro. 

Até que um dia prenderam um homem lá perto das tabuas, que depois de aterrada, hoje funciona um posto de gasolina, ele que havia roubado um cavalo de Seu Zeca, na fazenda Pau de Colher. O dono passava a procura do cavalo e viu, quando o tal ladrão puxava o animal com uma corda de piaçava tranquilamente. 

Amarrado por diversos populares, o pobre coitado foi levado para a cadeia de Guanambi em um velho fusquinha enferrujado, acompanhado dos dois únicos policiais da cidade, a viatura foi levando o tal ladrão famoso, a população e a criançada corriam atrás, gritando de alegria pela prisão do meliante, até chegar uma multidão na pequena delegacia que funcionava de frente ao Bar de Nuário, lá na Rua Cassimiro de Abreu.

Apertado pelo delegado, o ladrão foi acusado de quase quarenta roubos na Rua Tamandaré e vizinhança, e logo o tal ladrão revelou: “Seu delegado, não precisa me bater, não sou ladrão profissional, só roubei este cavalo para ir passear na Leocádia no feriado da Semana Santa, mas não fiz nada disso que ouvi dizendo, e estão me acusando, que entrei na casa de fulano e cicrano, é tudo historia deste povo medroso e fuxiquento, olha seu doutor, pro senhor ter uma ideia, até lá em casa, minha mãe já reforçou a porta”, contou o franzino rapaz.

O delegado então chamou para ouvir as pessoas que diziam que a sua casa tinha sido roubada, tudo, que iniciou com a tal pegada do ladrão no muro. Colhendo o depoimento das pessoas, o delegado descobriu que o tal ladrão do cavalo, era mesmo um pobre infeliz, que não tinha roubado nada, e descobriu com os depoimentos, que as pegadas no muro, foi causado pelo cachorro fujão da vizinha de minha vó, que tinha costume de pular o muro baixo da casa, atrás das cadelas no cio que perambulavam pela rua. E no dia das pegadas, o cachorro que era um vira-lata enorme, tinha pisado numa poça d’água, e que por isso, marcado todo o muro com suas patas largas. As pessoas que viviam a dizer que o ladrão entrou na casa, negaram tudo pro delegado, e que só diziam por ter ouvido o caso de um, que ouviu de outro, etc.

Com isso, se descobriu que os tais roubos, não passavam de folclore e criatividade do imaginário popular, tomados pelo medo e dos fuxicos de boca em boca que regavam os bate-papos das esquinas e portas dos botecos. E assim, acabado o fuxico, a paz voltou a reinar pelos cantos e recantos da Rua Tamandaré!!


 
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