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O comandante da Marinha do Brasil, o almirante Ilques Barbosa Junior, diz que uma das lições tiradas da crise envolvendo o derramamento de óleo pela costa brasileira é que o país precisa investir em um sistema de monitoramento de seu litoral semelhante ao que ocorre no espaço aéreo. O custo do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul, nome dado pelos militares à costa, seria de aproximadamente 2 bilhões de reais. Em um período em que o país passa por contingenciamento de verbas públicas e redução de gastos na área ambiental, contudo, não há previsão para que esse projeto saia da fase de planejamento. “Existem falhas que foram apontadas no acompanhamento de navios mercantes.
Esse monitoramento tem de caminhar como o que é feito com os aviões. Os aviões comerciais hoje são acompanhados. Os navios, não”, afirmou o chefe da força em entrevista nesta semana a um grupo de cinco correspondentes de meios estrangeiros baseados em Brasília. O almirante buscará apoio no Parlamento para que os próximos orçamentos destinem uma verba para esse sistema a ser criado. Ele se prepara para depor na CPI do Óleo, a comissão parlamentar de inquérito que será instalada na Câmara para investigar as causas e tentar apontar culpados pela tragédia ambiental que atingiu, até o momento, praias dos nove Estados do Nordeste e do Espírito Santo.
Dados do Governo apontam que cerca de 6.000 toneladas de óleo já foram recolhidas do litoral. Além de tentar buscar mais recursos, o comandante disse que um representante da marinha brasileira planejava fazer uma declaração na convenção marítima internacional, em Londres, para solicitar alterações nos tratados sobre navegação mercante pelos oceanos a fim de cobrar um melhor monitoramento das embarcações assim como de punir atos criminosos. “Esse assunto pode acontecer com qualquer país.
Essa é uma nova arma. Lembra dos aviões que se chocaram com as torres gêmeas? É uma agressão dessa magnitude.” No mundo há cerca de 80.000 navios mercantes em atividade. A expectativa, conforme a Marinha brasileira, é que até 2040 essa frota chegue aos 272.000 navios. “Se nós não tivermos o controle positivo do deslocamento desses navios mercantes, a probabilidade de acontecer ameaças desse tipo ou até envolvimento terrorista é muito alto, elevadíssima”, disse Ilques. Até o momento, a Marinha, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), a Polícia Federal e a Agência Nacional de Petróleo, investigam quatro possibilidades para essa crise ambiental: derramamento acidental ou intencional durante a transferência de óleo entre navios petroleiros, afundamento de navios antigos ou recentes, o vazamento de poços marítimos e a derrubada de óleo por meio de tambores. O principal suspeito apontado pela Polícia Federal e pela Marinha foi o navio Bouboulina, da empresa grega Delta Tankers —ela nega qualquer irregularidade em sua embarcação. Esse navio teria navegado entre a América do Sul e a África do Sul com o transponder, um equipamento de localização, desligado. O vazamento, conforme as apurações, teria ocorrido no final de julho. E as primeiras manchas nas praias nordestinas só foram notadas no fim de agosto e, devido a uma alta da maré, há a possibilidade de novas manchas serem avistadas a partir do dia 26 de novembro, de acordo com o comandante da Marinha.
No domingo passado, o Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas divulgou imagens que apontam que outra embarcação pode ter sido a responsável pelo derramamento do óleo. As autoridades não descartam responsabilizar outro navio. “A disposição da Marinha é a seguinte: nós vamos até o final dos tempos para encontrar o responsável. Até falar com o diabo eu vou falar para descobrir. Custe o que custar, o tempo que for”, disse o comandante.
Fonte: El País
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Dados do Governo apontam que cerca de 6.000 toneladas de óleo já foram recolhidas do litoral. Além de tentar buscar mais recursos, o comandante disse que um representante da marinha brasileira planejava fazer uma declaração na convenção marítima internacional, em Londres, para solicitar alterações nos tratados sobre navegação mercante pelos oceanos a fim de cobrar um melhor monitoramento das embarcações assim como de punir atos criminosos. “Esse assunto pode acontecer com qualquer país.
Essa é uma nova arma. Lembra dos aviões que se chocaram com as torres gêmeas? É uma agressão dessa magnitude.” No mundo há cerca de 80.000 navios mercantes em atividade. A expectativa, conforme a Marinha brasileira, é que até 2040 essa frota chegue aos 272.000 navios. “Se nós não tivermos o controle positivo do deslocamento desses navios mercantes, a probabilidade de acontecer ameaças desse tipo ou até envolvimento terrorista é muito alto, elevadíssima”, disse Ilques. Até o momento, a Marinha, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), a Polícia Federal e a Agência Nacional de Petróleo, investigam quatro possibilidades para essa crise ambiental: derramamento acidental ou intencional durante a transferência de óleo entre navios petroleiros, afundamento de navios antigos ou recentes, o vazamento de poços marítimos e a derrubada de óleo por meio de tambores. O principal suspeito apontado pela Polícia Federal e pela Marinha foi o navio Bouboulina, da empresa grega Delta Tankers —ela nega qualquer irregularidade em sua embarcação. Esse navio teria navegado entre a América do Sul e a África do Sul com o transponder, um equipamento de localização, desligado. O vazamento, conforme as apurações, teria ocorrido no final de julho. E as primeiras manchas nas praias nordestinas só foram notadas no fim de agosto e, devido a uma alta da maré, há a possibilidade de novas manchas serem avistadas a partir do dia 26 de novembro, de acordo com o comandante da Marinha.
No domingo passado, o Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas divulgou imagens que apontam que outra embarcação pode ter sido a responsável pelo derramamento do óleo. As autoridades não descartam responsabilizar outro navio. “A disposição da Marinha é a seguinte: nós vamos até o final dos tempos para encontrar o responsável. Até falar com o diabo eu vou falar para descobrir. Custe o que custar, o tempo que for”, disse o comandante.
Fonte: El País
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