Prefeitura de Urandi e Polícia Militar promovem ações do PROERD para estudantes da rede municipal
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Com desemprego em alta e renda em queda, os brasileiros mais pobres já gastaram neste início de ano mais da metade do que conseguiram economizar no ano passado com o dinheiro do auxílio emergencial, benefício que foi interrompido de forma abrupta em janeiro.
É o que mostra cálculo feito pelo 6 Minutos com base nos dados do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que detalham as diferentes faixas dos depósitos em caderneta de poupança. Os números mostram que entre março, início da pandemia de coronavírus no Brasil, e dezembro de 2020, os recursos depositados na aplicação totalizando até R$ 5.000 tiveram uma alta de R$ 26,9 bilhões, um forte aumento de 44% no período.
Como aponta o economista Marcelo Neri, um dos maiores especialistas do país em temas sociais, essa é uma boa notícia: um sinal de que muitas famílias conseguiram economizar uma parte dos recursos depositados pelo governo federal para fazer frente à crise.
O problema é que essa reserva vem sendo rapidamente eliminada pelas circunstâncias atuais: a interrupção do benefício em um momento em que os casos de coronavírus tiveram um forte repique em todo o país fizeram com que essa faixa da caderneta registrasse uma saída de R$ 14,2 bilhões no primeiro bimestre deste ano. Ou seja, 52% do total economizado.
“Esses dados mostram que a população conseguiu poupar no ano passado e que está sacando esses recursos para se manter no momento em que mais precisa”, avalia Neri, que é diretor do FGV Social. “É um belíssimo exemplo do que deve ser feito, mostra racionalidade do brasileiro, apontando para bom senso. O auxílio foi dado principalmente para mulheres, que receberam 90% dos benefícios. Essa é uma ação de quem estava olhando para os filhos e para o amanhã”.
Os dados do FGC mostram que quase metade da forte saída de recursos da poupança que foi observada nos dois primeiros meses deste ano veio das contas com depósitos entre R$ 100 e R$ 2.000, que representam pouco mais que 3% de tudo o que está depositado na caderneta no Brasil.
Somente na faixa entre R$ 500 e R$ 1.000, que seria a que mais representa o período em que o auxílio pago pelo governo foi de R$ 600, a saída de recursos foi de R$ 6,2 bilhões, ou 30% de tudo o que saiu da poupança entre dezembro e fevereiro.
Neri, do FGV Social, lembra que, com o benefício, a taxa de pobreza da população brasileira (o critério é renda pessoal abaixo de R$ 246) desabou de 11% da população, em 2019, para 4,5% em agosto do ano passado.
“Infelizmente, agora essa taxa já subiu para 12,8%”, afirma. “O fato de a população de baixa renda ter poupado e estar gastando agora esse dinheiro, quando o auxílio foi a zero, é o único alento nessa situação toda. Quebra a mística de que pobre não poupa”.
Enquanto os mais pobres estão sacando suas economias para sobreviver, quem tem mais dinheiro continua economizando neste início de ano.
As contas poupança com recursos depositados acima de R$ 100 mil, por exemplo, que já tinham registrado entrada de R$ 63,5 bilhões em depósitos entre março e dezembro do ano passado, tiveram alta nos valores depositados entre janeiro e fevereiro, de R$ 3,8 bilhões.
Esse movimento em direção contrária acontece porque, da mesma forma que vem acontecendo em outros países, o choque do coronavírus obrigou uma parcela da população brasileira –aqueles que possuem mais renda ou que não foram afetados por suspensão ou redução de salários– a poupar.
Seja pelo receio do que o futuro reserva, seja pela impossibilidade de gastar, por causa da quarentena imposta pela infecção, a situação fez com que uma parte da sociedade economizasse mais. Para muitos economistas, esse é um bom sinal, de que, quando a pandemia finalmente perder tração, esses recursos possam voltar para a atividade na forma de consumo.
A partir de abril, o auxílio volta, mas em um nível insuficiente, ainda mais quando se considera a recente inflação de alimentos. A nova rodada será de R$ 150, para quem vive sozinho, a R$ 375, para mulheres chefe de família. Só o desembolso com alimentos básicos, como arroz, feijão, carne e outros 25 itens que entram na composição da cesta básica, atingiu R$ 893 em fevereiro.
“Algumas pessoas estão conseguindo suavizar a situação com o que pouparam, mas outras não, estão passando fome”, aponta Neri. “O valor total do novo auxílio, de R$ 44 bilhões, é menos de um sexto do benefício do ano passado”.
Para ele, o governo pagou um valor bastante alto por um curto período de tempo. “O governo foi muito generoso por um período, e depois super sovina nos três primeiros meses do ano, com a interrupção do pagamento. O ideal seria ter tido algo nem tão ao mar, nem tanto à terra”.
Fonte: 6 Minutos
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Como aponta o economista Marcelo Neri, um dos maiores especialistas do país em temas sociais, essa é uma boa notícia: um sinal de que muitas famílias conseguiram economizar uma parte dos recursos depositados pelo governo federal para fazer frente à crise.
O problema é que essa reserva vem sendo rapidamente eliminada pelas circunstâncias atuais: a interrupção do benefício em um momento em que os casos de coronavírus tiveram um forte repique em todo o país fizeram com que essa faixa da caderneta registrasse uma saída de R$ 14,2 bilhões no primeiro bimestre deste ano. Ou seja, 52% do total economizado.
“Esses dados mostram que a população conseguiu poupar no ano passado e que está sacando esses recursos para se manter no momento em que mais precisa”, avalia Neri, que é diretor do FGV Social. “É um belíssimo exemplo do que deve ser feito, mostra racionalidade do brasileiro, apontando para bom senso. O auxílio foi dado principalmente para mulheres, que receberam 90% dos benefícios. Essa é uma ação de quem estava olhando para os filhos e para o amanhã”.
Os dados do FGC mostram que quase metade da forte saída de recursos da poupança que foi observada nos dois primeiros meses deste ano veio das contas com depósitos entre R$ 100 e R$ 2.000, que representam pouco mais que 3% de tudo o que está depositado na caderneta no Brasil.
Somente na faixa entre R$ 500 e R$ 1.000, que seria a que mais representa o período em que o auxílio pago pelo governo foi de R$ 600, a saída de recursos foi de R$ 6,2 bilhões, ou 30% de tudo o que saiu da poupança entre dezembro e fevereiro.
Neri, do FGV Social, lembra que, com o benefício, a taxa de pobreza da população brasileira (o critério é renda pessoal abaixo de R$ 246) desabou de 11% da população, em 2019, para 4,5% em agosto do ano passado.
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A partir de abril, o auxílio volta, mas em um nível insuficiente, ainda mais quando se considera a recente inflação de alimentos. A nova rodada será de R$ 150, para quem vive sozinho, a R$ 375, para mulheres chefe de família. Só o desembolso com alimentos básicos, como arroz, feijão, carne e outros 25 itens que entram na composição da cesta básica, atingiu R$ 893 em fevereiro.
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