Trabalhos sem carteira e por conta própria batem novo recorde
O número de empregados no setor privado sem carteira assinada subiu 5,6% em 1 ano, atingindo 11,7 milhões (mais 619 mil pessoas), maior valor já registrado pela pesquisa. Já o número de trabalhadores por conta própria aumentou 5,2% frente ao mesmo período de 2018, atingindo o recorde de 24,2 milhões (mais 1,2 milhão de pessoas).
Já o número de empregados com carteira assinada ficou praticamente estável em julho, segundo o IBGE, reunindo 33,1 milhões de pessoas.
“Aquele avanço da carteira assinada que observamos no trimestre anterior não se repetiu. Tinha-se a expectativa de que ela seguiria crescendo. O que se confirma nessa divulgação é a redução da desocupação pela informalidade e pela subocupação”, avaliou Azeredo.
“Nas crises de 2003 e de 2008, o mercado de trabalho começou a se recuperar a partir da informalidade, que permitiu reaquecer o mercado e, gradativamente, aquelas vagas informais foram tendo a carteira assinada. Mas essa crise de agora, além de já durar mais tempo que as anteriores, ela devastou muitos mais postos de trabalho”, disse o pesquisador.
A economia brasileira criou 43.820 empregos com carteira assinada em julho, segundo números divulgados na semana passada pelo Ministério da Economia. Os números oficiais mostram também que, nos sete primeiros meses deste ano, foram criados 461.411 empregos com carteira assinada – alta de 2,93% frente ao mesmo período do ano passado.
O número de trabalhadores domésticos, estimado em 6,3 milhões de pessoas, cresceu 2,2% em relação ao trimestre anterior e ficou estável frente ao mesmo trimestre de 2018.
Falta trabalho para 28,1 milhões
A taxa de subutilização da força de trabalho recuou para 24,6% em julho, ante 24,8% no trimestre encerrado em junho. Isso significa que ainda falta trabalho atualmente para 28,1 milhões de brasileiros, número 2,6% superior (mais 703 mil pessoas) ao registrado há 1 ano.
São considerados subutilizados os trabalhadores que estão desempregados, os que trabalham menos de 40 horas semanais, mas gostariam de trabalhar mais, os que não estão desempregados, mas não poderiam aceitar uma vaga no mercado, e aqueles que desistiram de procurar por emprego, chamados de desalentados.
O número de desalentados ficou estável em 4,8 milhões no trimestre encerrado em julho. O percentual de pessoas desalentadas em relação à população na força de trabalho foi de 4,4%, repetindo o recorde da série.
Número recorde de subocupados
Já o número de pessoas subocupadas, trabalhando menos horas do que gostariam, chegou a 7,3 milhões, o que segundo o IBGE representa um recorde da série histórica comparável. Em relação ao mesmo trimestre de 2018, houve uma alta de 12,4% (mais 810 mil pessoas).
Segundo o IBGE, no mesmo trimestre do ano passado, os desocupados correspondiam a 46,8% da força de trabalho do país, enquanto os subocupados representavam 23,8%. Neste trimestre, estes percentuais foram, respectivamente, de 44,7% e 26,1%.
Rendimento médio tem nova queda
O rendimento médio real do trabalhador caiu 1% na comparação com o trimestre encerrado em abril, passado de R$ 2.311 para R$ 2.286. Na comparação anual ficou estatisticamente estável.
Segundo Cimar Azeredo, coordenador da pesquisa, a queda reflete o avanço dos “trabalhos voltados à informalidade, que têm rendimento menor”.
Já a massa de rendimento real habitual somou R$ 208,6 bilhões, o que representa estabilidade em relação ao trimestre anterior e alta de 2,2% frente ao mesmo período de 2018.
Setores que mais geraram vagas
Do total de 2,2 milhões de vagas geradas no último ano, a maior fatia (530 mil, 23,9% do total) foi no segmento de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, que englobam trabalhadores de diversas áreas na prestação de serviços. Segundo Azeredo, parte expressiva deste contingente é de trabalhadores terceirizados.
Os outros dois segmentos que mais cresceram foram administração pública (368 mil ou 16,6% do total), outros serviços (356 mil ou 16,1%).
Na sequência, estão indústria (212 mil), alojamento e alimentação (188 mil) e transporte (180 mil).
“Grupamentos como agricultura, construção e serviços apresentaram evolução significativa. Mas destaca-se que, nas duas comparações, tanto com o trimestre anterior quanto com o mesmo trimestre do ano passado, foi o crescimento dos serviços de uma forma bastante expressiva que puxou o mercado de trabalho, o que dá força a esse processo de informalidade que se instala no mercado atualmente”, afirmou gerente da pesquisa.