Guajeru realiza 2ª Semana do Meio Ambiente com palestras sobre manejo sustentável no semiárido
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No Brasil, há 11 milhões de pessoas diagnosticadas com depressão. Em todo o mundo, são mais de 300 milhões. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a depressão é a doença mais incapacitante do mundo e a segunda principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos de idade. Apesar dos números alarmantes, a OMS afirma que menos da metade dos diagnosticados está em tratamento.
O Profissão Repórter acompanhou a rotina de pessoas em diferentes partes do Brasil que foram diagnosticadas e que convivem com a doença.
A repórter Nathalia Tavolieri conheceu a dona de casa Karla Barbosa, de 40 anos. Ela foi diagnosticada com depressão há cinco anos. Ela é casada com Rodrigo há 14 anos e nos últimos oito anos passou a cuidar do marido, que sofreu um AVC e hoje depende de ajuda para se alimentar, tomar banho e até se movimentar na cama.
“Eu comecei a ter uma angústia muito grande, um medo que não era normal. Eu comecei a sentir que estava parando, parando aos poucos. Fui parando de fazer as coisas. A médica vinha visitar o Rodrigo e muitas vezes ela pergunta, eu chorava e ela dizia que eu precisava de ajuda.”
Além do marido, Karla também cuida da filha, do enteado e de três sobrinhos que são filhos de uma irmã que morreu de câncer há dois anos.
“Tem horas que tenho que olhar para o lado, olhar para os meus filhos, meus sobrinhos e me agarrar neles. Eles pensam que sou eu quem os segura, mas sempre falo que eles que me seguram. Eles estão me segurando. Se passar alguma coisa na minha cabeça, de besteira para fazer contra mim, eu penso mil vezes. Eu tenho que aguentar sufocada, porque dói. Dói que dá vontade de gritar. Acho que a dor física me dói tanto quanto dói a dor da alma, a dor que você sente no peito te dilacera”, explica Karla sobre as sensações diárias que possui com a depressão.

Apesar da dificuldade em lidar com a doença, Karla diz que busca uma melhora e quer voltar a ser a pessoa que era antes de ser diagnosticada com depressão.
“Eu quero melhorar, eu quero sarar disso. Eu quero olhar para a frente e quero encontrar aquela Karla de lá de trás, que ficou lá trás.”
Os problemas diários com a depressão e a responsabilidade de cuidar do marido, dos filhos e dos sobrinhos sobrecarregam Karla diariamente. E de olho nas dificuldades da mãe, a filha Kamila Barbosa, de 11 anos, também passou a sofrer com depressão.
Ela foi diagnosticada com a doença e faz uso de medicamentos. Mesmo sendo uma criança prestes a entrar na adolescência, Kamila diz já sentir muita tristeza, vontade de chorar e falta de interesse em fazer coisas que alguém de sua idade normalmente faria.
“Às vezes só sinto vontade de chorar e fazer mais nada. Eu era mais alegre, eu fazia mais as coisas. Agora eu não consigo”, diz Kamila.
Karla diz que já havia percebido algo de errado no comportamento da filha, mas demorou a aceitar o fato dela também ter depressão, apesar da pouca idade.
“Eu já tinha percebido. Ela estava tendo as mesmas reações que eu tive. Mas sabe quando você não quer acreditar? Eu não queria acreditar. Eu sei como é difícil porque estou lutando contra isso. Às vezes eu sei, pode não parecer, mas eu faço de tudo por ela, meu marido, meus sobrinhos. Estou lutando por isso”, desabafa.
A psiquiatra Sheila Caetano explica que existe um tratamento para depressão em crianças e adolescentes, mas ressalta a importância da terapia.
“Crianças têm sempre que ir para terapia, principalmente na infância e na adolescência, em que estão desenvolvendo a personalidade: ‘quem eu sou, e preciso entender muito bem quem eu sou e o que é a doença.'”
A psiquiatra diz que a medicação é parte importante do tratamento, mas que fazer alguma atividade que fuja da rotina também é benéfico.
“Não deveria ser só a medicação. A medicação vai sim funcionar para tirar da depressão, mas eu tenho que criar também a resistência. Andar é uma atividade aeróbica vai ter efeito contra a depressão. Desenhar, fazer qualquer atividade esportiva ou artística pode trazer um alívio muito mais importante e produzir algo para o corpo inteiro do que só deitar e chorar”.
Dificuldade para tratamento
O repórter Júlio Molica foi até a cidade de General Sampaio, no Ceará, acompanhar o desafio da população para encontrar tratamento para transtornos como a depressão.
Com apenas seis mil habitantes, a cidade do interior do Ceará sofre com a falta de estrutura e também de psiquiatras para lidar com a doença. E para driblar esse problema, o município conta com o trabalho de agentes comunitários de saúde, que vão de porta em porta. Eles são treinados pela única psicóloga do local a identificar fatores de risco para depressão. Os casos mais graves são encaminhados para especialistas em outras cidades.
“Não tem psiquiatra no município e nem nos municípios em volta. Teve uma paciente que a gente contabilizou o tempo, aguardou para pegar a ficha para passar em um psiquiatra em Fortaleza. Eu a encaminhei no segundo ano em que estava aqui. Já faz quatro anos que ela está com a ficha para Fortaleza”, diz a psicóloga Nathasha de Almeida.
A agente de saúde Serafim da Silva, fala da dificuldade em ter uma pessoa com depressão na família morando em General Sampaio e não ter acesso ao tratamento adequado. Ela conta que viu a mãe sofrer com a doença.
“Só quem sabe é quem conviveu. Eu convivi muitos anos com a minha mãe com esse problema. É difícil. Tinha noites em que minha mãe não dormia. Ela lavava roupa todos os dias, todas as noites, a noite inteira. Nem ela dormia e nem a gente em casa.”
Hoje, Tereza da Silva, mãe de Serafim, toma medicações prescritas por um psiquiatra e convive bem com o diagnóstico de depressão.
“Hoje eu estou bem. Visto o que já passei, eu estou bem. No começo tinha uma coisa ruim, eu não podia dormir, não podia comer, de noite não dormia. Estou tomando os remédios agora”, explica Tereza.
Fonte: O Globo
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O Profissão Repórter acompanhou a rotina de pessoas em diferentes partes do Brasil que foram diagnosticadas e que convivem com a doença.
A repórter Nathalia Tavolieri conheceu a dona de casa Karla Barbosa, de 40 anos. Ela foi diagnosticada com depressão há cinco anos. Ela é casada com Rodrigo há 14 anos e nos últimos oito anos passou a cuidar do marido, que sofreu um AVC e hoje depende de ajuda para se alimentar, tomar banho e até se movimentar na cama.
“Eu comecei a ter uma angústia muito grande, um medo que não era normal. Eu comecei a sentir que estava parando, parando aos poucos. Fui parando de fazer as coisas. A médica vinha visitar o Rodrigo e muitas vezes ela pergunta, eu chorava e ela dizia que eu precisava de ajuda.”
Além do marido, Karla também cuida da filha, do enteado e de três sobrinhos que são filhos de uma irmã que morreu de câncer há dois anos.
“Tem horas que tenho que olhar para o lado, olhar para os meus filhos, meus sobrinhos e me agarrar neles. Eles pensam que sou eu quem os segura, mas sempre falo que eles que me seguram. Eles estão me segurando. Se passar alguma coisa na minha cabeça, de besteira para fazer contra mim, eu penso mil vezes. Eu tenho que aguentar sufocada, porque dói. Dói que dá vontade de gritar. Acho que a dor física me dói tanto quanto dói a dor da alma, a dor que você sente no peito te dilacera”, explica Karla sobre as sensações diárias que possui com a depressão.

Apesar da dificuldade em lidar com a doença, Karla diz que busca uma melhora e quer voltar a ser a pessoa que era antes de ser diagnosticada com depressão.
“Eu quero melhorar, eu quero sarar disso. Eu quero olhar para a frente e quero encontrar aquela Karla de lá de trás, que ficou lá trás.”
Os problemas diários com a depressão e a responsabilidade de cuidar do marido, dos filhos e dos sobrinhos sobrecarregam Karla diariamente. E de olho nas dificuldades da mãe, a filha Kamila Barbosa, de 11 anos, também passou a sofrer com depressão.
Ela foi diagnosticada com a doença e faz uso de medicamentos. Mesmo sendo uma criança prestes a entrar na adolescência, Kamila diz já sentir muita tristeza, vontade de chorar e falta de interesse em fazer coisas que alguém de sua idade normalmente faria.
“Às vezes só sinto vontade de chorar e fazer mais nada. Eu era mais alegre, eu fazia mais as coisas. Agora eu não consigo”, diz Kamila.
Karla diz que já havia percebido algo de errado no comportamento da filha, mas demorou a aceitar o fato dela também ter depressão, apesar da pouca idade.
“Eu já tinha percebido. Ela estava tendo as mesmas reações que eu tive. Mas sabe quando você não quer acreditar? Eu não queria acreditar. Eu sei como é difícil porque estou lutando contra isso. Às vezes eu sei, pode não parecer, mas eu faço de tudo por ela, meu marido, meus sobrinhos. Estou lutando por isso”, desabafa.
A psiquiatra Sheila Caetano explica que existe um tratamento para depressão em crianças e adolescentes, mas ressalta a importância da terapia.
“Crianças têm sempre que ir para terapia, principalmente na infância e na adolescência, em que estão desenvolvendo a personalidade: ‘quem eu sou, e preciso entender muito bem quem eu sou e o que é a doença.'”
A psiquiatra diz que a medicação é parte importante do tratamento, mas que fazer alguma atividade que fuja da rotina também é benéfico.
“Não deveria ser só a medicação. A medicação vai sim funcionar para tirar da depressão, mas eu tenho que criar também a resistência. Andar é uma atividade aeróbica vai ter efeito contra a depressão. Desenhar, fazer qualquer atividade esportiva ou artística pode trazer um alívio muito mais importante e produzir algo para o corpo inteiro do que só deitar e chorar”.
Dificuldade para tratamento
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Com apenas seis mil habitantes, a cidade do interior do Ceará sofre com a falta de estrutura e também de psiquiatras para lidar com a doença. E para driblar esse problema, o município conta com o trabalho de agentes comunitários de saúde, que vão de porta em porta. Eles são treinados pela única psicóloga do local a identificar fatores de risco para depressão. Os casos mais graves são encaminhados para especialistas em outras cidades.
“Não tem psiquiatra no município e nem nos municípios em volta. Teve uma paciente que a gente contabilizou o tempo, aguardou para pegar a ficha para passar em um psiquiatra em Fortaleza. Eu a encaminhei no segundo ano em que estava aqui. Já faz quatro anos que ela está com a ficha para Fortaleza”, diz a psicóloga Nathasha de Almeida.
A agente de saúde Serafim da Silva, fala da dificuldade em ter uma pessoa com depressão na família morando em General Sampaio e não ter acesso ao tratamento adequado. Ela conta que viu a mãe sofrer com a doença.
“Só quem sabe é quem conviveu. Eu convivi muitos anos com a minha mãe com esse problema. É difícil. Tinha noites em que minha mãe não dormia. Ela lavava roupa todos os dias, todas as noites, a noite inteira. Nem ela dormia e nem a gente em casa.”
Hoje, Tereza da Silva, mãe de Serafim, toma medicações prescritas por um psiquiatra e convive bem com o diagnóstico de depressão.
“Hoje eu estou bem. Visto o que já passei, eu estou bem. No começo tinha uma coisa ruim, eu não podia dormir, não podia comer, de noite não dormia. Estou tomando os remédios agora”, explica Tereza.
Fonte: O Globo
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