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Jovem brasileira recebe prêmio da ONU por solução para filtrar água

Aos 21 anos, a brasileira Anna Luisa Beserra, formada em biotecnologia pela Universidade Federal da Bahia, foi uma das vencedoras do Prêmio Jovens Campeões da Terra, promovido pela Organização das Nações Unidas. Ela é a primeira brasileira a ganhar a competição. Ao todo, sete jovens de diferentes regiões — África, América do Norte, América Latina e Caribe, Ásia e Pacífico, Europa e Ásia Ocidental — foram selecionados e receberão os prêmios no dia 26 de setembro, durante a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas e a Cúpula de Ação Climática.

Anna Luisa, que entrou na faculdade em 2015, começou a desenvolver o projeto Aqualuz em 2013, ainda no Ensino Médio. Durante as aulas em que aprendeu sobre a seca no semiárido, a cientista se motivou a criar algo que pudesse solucionar o problema. “Aquela foi a minha grande oportunidade. Sempre quis ser cientista e vi na escola uma oportunidade para criar uma tecnologia viável e de baixo custo”, afirmou.

O Aqualuz é um filtro que purifica a água da chuva coletada por cisternas instaladas em áreas rurais, onde a água tratada não é acessível. Mais de um milhão de pessoas sofrem por falta de acesso a água no Brasil.

Com a invenção de Anna Luisa, a água da cisterna é purificada por meio de raios solares e um indicador muda de cor quando o líquido está seguro para o consumo. De fácil manutenção, o sistema pode durar até 20 anos.

No primeiro semestre da faculdade, Anna Luisa fundou uma startup com o apoio do Academic Working Capital, do Instituto TIM. A partir dali, o desafio foi entender a forma de encontrar um modelo de negócios sustentável e manter o objetivo de atingir o maior número de pessoas beneficiadas possível. Atualmente, a tecnologia já é um produto presente em cinco estados da região nordeste e com 53 unidades implantadas em propriedades rurais.

Para a diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Inger Andersen, “o planeta com estresse hídrico está sofrendo o peso da extração incessante, da poluição e da mudança climática. É necessário encontrarmos novas formas de proteger, reciclar e reutilizar esse precioso recurso. Tornar a água potável acessível e segura a todos e todas é vital para atingirmos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”.

O reconhecimento após o anúncio do prêmio da ONU motivou a cientista a querer ir além. “É um estímulo para melhorar o modelo de negócios e conseguir novas parcerias. Quero ter pontos de partida para expandir a tecnologia para a África, Índia e outros países da América Latina. Quanto mais unidades implantadas, maior o número de pessoas beneficiadas. Quero desenvolver a tecnologia para mudar vidas”, concluiu.

Fonte: VEJA

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