A economia brasileira retraiu 1,5% entre janeiro e março na comparação com o último trimestre do ano passado. A maior pressão para a queda veio do setor de serviços, que corresponde a 74% do PIB (Produto Interno Bruto). Os dados foram divulgados hoje (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 1,803 trilhão.
O resultado ficou dentro do esperado por analistas ouvidos pelo 6 Minutos, que estimavam uma queda de 1,6%. Segundo o IBGE, o resultado foi influenciado pelas medidas de isolamento social, que reduziram as atividades de serviços, o consumo das famílias e a produção industrial. Também houve impacto na exportação, já que a economia de parceiros brasileiros foi afetada pela pandemia.
Veja como o PIB evoluiu no primeiro trimestre, por categoria:
- Indústria: -1,4%
- Serviço: -1,6%
- Consumo das famílias: -2% – a queda mais intensa desde 2001
- Investimento: + 3,1%
- Agropecuária: +0,6%
- Exportações: – 0,9%
- Construção Civil: -2,4%
“Aconteceu no Brasil o mesmo que ocorreu em outros países afetados pela pandemia, que foi o recuo nos serviços direcionados às famílias devido ao fechamento dos estabelecimentos. Bens duráveis, veículos, vestuário, salões de beleza, academia, alojamento, alimentação sofreram bastante com o isolamento social”, explica Rebeca Palis, coordenadora da pesquisa do PIB.
O que significa esse resultado do PIB? A economia já estava fragilizada mesmo antes da crise do coronavírus no Brasil. Depois de crescer 0,5% no quatro trimestre de 2019, o que foi considerado um avanço frustrante, a economia ainda amargou a contração de 1,5%. E o coronavírus mal tinha se feito presente – a quarentena começou de fato na segunda quinzena de março, já nos últimos 15 dias do trimestre.
O país não conseguiu se recuperar da crise de 2015 e mesmo assim tem outra para encarar. “Já entramos fragilizados na crise do coronavírus”, disse ao 6 Minutos Luis Bento, analista da Rio Bravo.
O que esperar a partir de agora? Desemprego, redução na renda e queda maior nos serviços e varejo. Ricardo Jacomassi, economista-chefe da TCP Partners, de consultoria para investimento e gestão empresarial, analisa que o desemprego pode chegar a 22% – 20 milhões de brasileiros. Isso reduz a renda circulante e o potencial de consumo de serviços.
Jacomassi também vê fortes contrações na indústria de transformação e fala que a construção civil deve sofrer uma pausa. “Ela emprega muita gente mas responde a demanda, que agora vai regredir e esperar para ver como as coisas vão se organizar”, pontua.
A que corresponde o valor corrente do PIB? Dos R$ 1,803 trilhão, 85,30% (R$ R$ 1,538 tri) se refere aos preços transacionados. Os 14,70% restantes (R$ 265 bi) vêm de impostos sobre produtos e subsídios.
Fonte: 6 Minutos