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Frente ao anúncio de um plano de vacinação brasileiro contra a Covid-19, a volta às aulas presenciais, defendida por pais e professores somente quando houver vacinação em massa, parece estar mais próxima no horizonte.
No entanto, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, informou no dia 13 que as crianças não serão incluídas no programa de vacinação contra a Covid-19.
Para Renato Kfouri, pediatra e presidente do departamento de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), é um equívoco condicionar a volta às aulas à vacinação em crianças.
“As crianças não estão sendo alvo dos programas de vacinação e dos estudos de fase 3 agora porque não são grupo de risco e tampouco fazem parte da cadeia de transmissão de forma importante”, explica o pediatra.
De modo geral, as crianças apresentam infecções mais leves, com menos sintomas, e são capazes de disseminar menos o vírus do que indivíduos adultos, explica Kfouri.
Estudos já relataram também que as crianças possuem menor carga viral do que adultos e podem até ter uma proteção natural contra o coronavírus devido a infecções passadas de outros vírus causadores de resfriados.
“Tanto na proteção direta, que seria vacinar grupos de risco, quanto na proteção indireta, de vacinar aqueles que transmitem mais, as crianças não são foco dos estudos de vacinas”, diz.
Uma carta assinada por mais de 400 pediatras no final de novembro pedia o retorno às aulas, argumentando que ele é seguro para crianças e adolescentes, desde que medidas de proteção individual sejam implementadas.
Os médicos também defendem que os mais jovens possuem, raramente, complicações de Covid –um pequeno número de crianças desenvolve a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P).
“Não sabemos ainda quanto tempo vai durar a proteção das vacinas em desenvolvimento, mas, se elas precisarem de reforço a cada cinco ou dez anos, vacinar agora pode ‘empurrar’ a proteção das crianças até um momento em que elas podem ser suscetíveis e adoecer mais gravemente. Isso me pareceria um erro”, completa.
Em termos de saúde pública, todos os esforços dos países e das desenvolvedoras de vacinas têm sido para garantir a proteção daqueles com maior risco de hospitalização e mortes –por enquanto, os idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade e portadores de comorbidades. “É claro que existem crianças com comorbidades, e é importante entender como as vacinas funcionam nesses grupos, mas em um momento posterior.”
Os estudos de vacinas começam sempre em indivíduos adultos saudáveis. A partir daí, podem seguir para outros grupos. Quando se conhece que um imunizante é seguro, ele pode passar a ser testado em crianças.
Diversas farmacêuticas têm desenvolvido em paralelo estudos de fases 1 e 2 –quando se testam a segurança, dosagem e capacidade de produzir anticorpos das vacinas– com crianças e adolescentes. A vantagem seria aproveitar o momento de grande investimento e também as taxas elevadas de contágio do vírus para conduzir os estudos.
A Pfizer, cuja vacina já foi aprovada e esta em uso no Reino Unido, nos EUA e em outros países, iniciou em outubro um estudo combinado de fases 2/3 com crianças a partir de 12 anos do seu imunizante, sem divulgar quantos jovens estariam envolvidos.
Lista **** A empresa de biotecnologia norte-americana Moderna, cuja eficácia da vacina foi divulgada em 94,1% pela própria companhia, deve iniciar no próximo dia 17 um estudo com 3.000 adolescentes de 12 a 17 anos. A empresa ainda está recrutando os voluntários.
Demais vacinas com testes em faixas etárias similares incluem a Janssen, braço farmacêutico da Johnson & Johnson, que vem testando seu imunizante em indivíduos maiores de 16 anos nos Estados Unidos e na Bélgica, e a da Universidade de Oxford/AstraZeneca (Reino Unido).
As fabricantes chinesas Sinovac e CanSino foram além e iniciaram testes de suas vacinas de vírus inativado e com vetor viral não replicante, respectivamente, para saber qual a segurança e dosagem dos fármacos em crianças de 3 a 17 anos, no caso da Sinovac, e a partir de 6 anos, no caso da CanSino.
Há também um ensaio clínico utilizando um vetor viral de um lentivírus -tipo de vírus associados a doenças neurológicas- modificado com o material genético do Sars-CoV-2 em indivíduos com idades de 6 meses a 80 anos de idade pelo Hospital de Shenzhen, na China.
Planos de vacinação contra a Covid divulgados em todo o mundo não preveem a inclusão de crianças. Os resultados de segurança e eficácia devem primeiro nortear essa decisão, assim como o de saúde pública, seguindo a evolução da pandemia no mundo.
De acordo com um documento publicado pela Organização Mundial da Saúde, no último dia 11 de dezembro, a volta segura às escolas deve ser acompanhada de um monitoramento constante de novos casos de Covid-19, da situação epidemiológica local e das condições de higiene dos estabelecimentos.
Além disso, deve avaliar quais os impactos para o ensino dos alunos ao manter as escolas e se há condições de equidade -acesso ao ensino remoto, alimentação- entre eles.
Segundo um estudo feito no Reino Unido, a reabertura parcial das escolas esteve associada com menos de 0,1% de novos casos de Covid-19.
Em nota, o Ministério da Saúde diz que “a definição dos grupos prioritários para a vacinação está considerando a epidemiologia da doença, se atentando aos grupos e faixas etárias mais acometidas e/ou mais expostas ao vírus e com maior risco de gravidade e óbito.”
“É importante ressaltar que o grupo pode sofrer alterações de acordo com os resultados dos estudos das vacinas”, completa.
Fonte: Ana Bittallo|Folhapress
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Para Renato Kfouri, pediatra e presidente do departamento de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), é um equívoco condicionar a volta às aulas à vacinação em crianças.
“As crianças não estão sendo alvo dos programas de vacinação e dos estudos de fase 3 agora porque não são grupo de risco e tampouco fazem parte da cadeia de transmissão de forma importante”, explica o pediatra.
De modo geral, as crianças apresentam infecções mais leves, com menos sintomas, e são capazes de disseminar menos o vírus do que indivíduos adultos, explica Kfouri.
Estudos já relataram também que as crianças possuem menor carga viral do que adultos e podem até ter uma proteção natural contra o coronavírus devido a infecções passadas de outros vírus causadores de resfriados.
“Tanto na proteção direta, que seria vacinar grupos de risco, quanto na proteção indireta, de vacinar aqueles que transmitem mais, as crianças não são foco dos estudos de vacinas”, diz.
Uma carta assinada por mais de 400 pediatras no final de novembro pedia o retorno às aulas, argumentando que ele é seguro para crianças e adolescentes, desde que medidas de proteção individual sejam implementadas.
Os médicos também defendem que os mais jovens possuem, raramente, complicações de Covid –um pequeno número de crianças desenvolve a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P).
“Não sabemos ainda quanto tempo vai durar a proteção das vacinas em desenvolvimento, mas, se elas precisarem de reforço a cada cinco ou dez anos, vacinar agora pode ‘empurrar’ a proteção das crianças até um momento em que elas podem ser suscetíveis e adoecer mais gravemente. Isso me pareceria um erro”, completa.
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“É importante ressaltar que o grupo pode sofrer alterações de acordo com os resultados dos estudos das vacinas”, completa.
Fonte: Ana Bittallo|Folhapress
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