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Desemprego, distanciamento e medo ajudaram a tombar consumo das famílias em 2020

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A empreendedora Tatiane de Souza teve que fechar o bolso no ano passado e reduzir o consumo por causa da crise gerada pandemia. Assim como ela, milhares de brasileiros fizeram o mesmo e o consumo das famílias caiu 5,5% em 2020, menor patamar desde 1996.

Desempregada desde 2019, Souza estava passando por uma transição de carreira para ter o próprio negócio e tudo ficou mais difícil com a pandemia.

“Deixei de comprar muitos itens supérfluos, como chocolate, que eu amo. Troquei a carne vermelha por frango e estou priorizando as marcas próprias dos mercados. Também mudei os hábitos dentro de casa: se antes ligava a máquina de lavar duas ou três vezes por semana, agora é só uma”, conta Souza.

Os dados do PIB (Produto Interno Bruto) foram divulgados nesta quarta-feira (3) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Por que o consumo das famílias caiu? A piora no mercado de trabalho e a necessidade de distanciamento social para conter o coronavírus são os principais motivos para a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

taxa média de desemprego atingiu o maior patamar desde 2012, de acordo com a Pnad Contínua, chegando a 13,5%, atingindo cerca de 13,4 milhões de pessoas. Mas não foram só os desempregados que consumiram menos no ano passado.

Quem não sofreu com perda de renda ou ficou desemprego também freou o consumo por causa do cenário de incerteza. “O medo da pandemia limitou a demanda, principalmente de serviços”, afirma Alessandra Ribeiro, economista-chefe da Tendências Consultoria.

A queda no consumo de serviços foi muito motivada pelo isolamento social, enquanto os bens conseguiram ter mais consumo, beneficiados pelos recursos do auxílio emergencial.

Como o consumo das famílias é um dos componentes mais importantes para o cálculo do PIB, ele interfere diretamente no resultado do produto. “De tudo o que o país produz, 62,71% são destinados as famílias, onde a queda foi mais acentuada”, afirma a professora de MBAs da FGV (Fundação Getulio Vargas) Virene Matesco.

A situação do país poderia ser pior? Sim. As especialistas ouvidas pelo 6 Minutos concordam que o consumo teria sido ainda mais afetado sem o auxílio emergencial. Em 2020, a economia brasileira encolheu 4,1%, o pior resultado para o PIB desde 1996.

Fonte: 6 Minutos

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