Durante a pandemia, o Ministério Público da Bahia registrou o aumento de 24,7% de casos de feminicídio entre 2010 e 2021. O dado aponta para a necessidade da continuação de medidas de prevenção à violência contra a mulher, preocupação que em 1999 recebeu atenção mundial. Naquele ano, a Assembleia Geral das Nações Unidas, reuniu governos, organizações internacionais e organizações não governamentais, e escolheu o 25 de novembro como o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher.
Em outubro deste ano, um caso de feminicídio repercutiu na Bahia. Késia Stefany, 21, foi vítima de feminicídio. As investigações apontam o companheiro da vítima, o advogado José Luiz de Brito Meira Júnior, como autor do crime. O assassinato aconteceu num apartamento de luxo no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. A justiça determinou a prisão do advogado no dia 20 de outubro. Até a decisão, a defesa do autor do crime chegou a alegar que a jovem era usuária de drogas e apontou a arma para si mesma.
Na Bahia, o perfil das vítimas, segundo a Secretaria de Segurança Pública, é de uma mulher negra, na faixa dos 30 a 49 anos, com cônjuge. As informações são do Anuário de Segurança Pública da Bahia, feito pela SSP/BA em parceria com a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).
O estudo revela que de 2017 a 2020 houve 364 casos de feminicídio, realizados majoritariamente dentro da casa das vítimas (cerca de 84%). De 2019 a 2020, a zona metropolitana de Salvador foi a que registrou aumento, de 3%, nos casos contabilizados entre 2019 e 2020.
Pesquisas no âmbito nacional tem servido como insumo para o combate às violências contra mulheres. O último Atlas da Violência, pesquisa realizada pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), revela que a média nacional, durante a década de 2009 e 2019, o Brasil apresentou uma redução de 18,4% nas mortes de mulheres. Contudo, em 14 das 27 unidades da federação informaram aumento na violência letal contra mulheres. O Norte e o Nordeste despontam na análise.
O Acre teve aumento de 69,5%, ocupando o primeiro lugar do recrudescimento da violência no país. Já os estados do Rio Grande do Norte, com aumento de aproximadamente 55% de casos, e do Ceará, com 51,5% a mais, dividem o pódio nos segundo e terceiro lugares.
Fonte: A Tarde
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