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Por iGuanambi
04/08/2022 - 11h44 - Atualizado 4 de agosto de 2022
Publicado em Bom Jesus da Lapa - Municípios - Notícias





Banhada pelo Rio São Francisco e rodeada por morros e grutas que conferem clima místico, a cidade de Bom Jesus da Lapa, no oeste baiano, reúne devotos de todo país para peregrinar e expressar fé e gratidão. Após dois anos sem comemoração, a 331ª edição da tradicional Romaria do Bom Jesus da Lapa, que já começou e vai até sábado, deve festejar também o reconhecimento da manifestação cultural como patrimônio imaterial da Bahia.
Membros da Câmara de Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Natural da Bahia (CPHAAN) do Conselho Estadual de Cultura (CEC) entram em votação para aprovação hoje. Segundo o presidente da CPHAAN, Táta Ricardo, a validação é certa.
Ele ressalta que é preciso reconhecer a peregrinação de devotos ao santuário como especial, uma vez que é a maior romaria da Bahia, do Nordeste e terceira do Brasil. Assim como se consagra como a maior festa popular no estado depois do Carnaval.
Segundo Tavares, o município reúne mais de 2 milhões de turistas por ano, sobretudo entre 28 de julho e 6 de agosto, quando ocorre a programação oficial da romaria. O novenário é sucedido pela festa com missa festiva e procissão no último dia.
“A intenção é proteger para que não sofra nenhum tipo de ruptura, dano ou perda em sua própria identidade. Já é algo mantido na fé dos romeiros. O processo de registro especial, além de valorizar e reconhecer, visa a proteção da manutenção por toda vida. A Câmara, para além do registro, recomenda ao estado que […] efetive processo de tombamento por todo conjunto arquitetônico do patrimônio físico e natural que compõe o Santuário de Bom Jesus [gruta que deu origem à tradição]”, afirma.
O processo para reconhecimento da Romaria do Bom Jesus da Lapa como patrimônio imaterial da Bahia começou em 2017 pelo governo estadual. Após cinco anos, o registro especial foi concluído pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). Agora, está sob relatoria da conselheira Evanice Lopes e responsabilidade da Câmara de Patrimônio da Bahia, cuja função é emitir parecer final e aprovar a consagração. Depois da aprovação, o texto segue para homologação do governador e publicação no Diário Oficial.
“Com certeza vai ser aprovada, porque é uma das mais antigas do Nordeste, acontece há 331 anos. É muito justo a Câmara […] poder validar e solicitar registro”, assegura Táta.
TRADIÇÃO
O microempresário Leônidas Pereira, 64, foi criado em Bom Jesus da Lapa e mora em Brasília desde os 22 anos. No entanto, retorna anualmente para participar da peregrinação. Neste ano, chegará em 6 de agosto, dia no qual sai a procissão da Catedral Nossa Senhora do Carmo em direção ao Santuário Bom Jesus. O percurso tem 2 km e atravessa a cidade.
“Todo ano visito meu Bom Jesus. Cresci vendo o período da romaria. É impossível descrever a sensação. Na minha infância presenciei muitos milagres que aconteceram. Isso eleva a fé mais ainda. Bom Jesus da Lapa é a capital da fé na Bahia. Vou nessa ida só agradecer. Fico três dias só recordando minha infância e visitando os locais históricos”, diz.
“Para mim, que sou cristão, é muito gratificante ter esse privilegio de visitar todo ano”, reconhece.
Já a advogada Jianine Pichite, 40 anos, fez o processo inverso. Nascida no Rio Grande do Sul, ela se casou com um baiano e, junto, veio a paixão pelo Bom Jesus da Lapa. “Desde a minha chegada, ainda residindo em Salvador, meu marido me dizia: ‘Um dia vou lhe levar em uma igreja que fica em uma gruta, em Bom Jesus da Lapa’”, recorda.
Em 2020 o casal visitou o local e Jianine pediu ao Bom Jesus para retornar. A advogada recebeu a resposta no ano seguinte: uma proposta para trabalhar como coordenadora de Direito em uma instituição no município.
“É minha primeira romaria, mas, me sinto parte integrante desta linda festa como se há muito tempo estivesse aqui. As demonstrações de fé são contagiantes. Não há como não se sentir integrante desse lugar. Viver esse momento é dádiva”, agradece.
HISTÓRIA E TURISMO
Ex-superintendente de Cultura de Bom Jesus da Lapa, o produtor cultural João Paulo Lelis conta que a fundação da cidade se fez em volta da religiosidade. Em 1961, o monge português Francisco de Mendonça Mar encontrou a forma de uma cruz em uma caverna da região. Foi onde construiu o que hoje é conhecido como Santuário do Bom Jesus. Ao longo do tempo, devotos construíram morada na região até formar a primeira cidade às margens do São Francisco.
“A Romaria do Bom Jesus me move, emociona”, declara.
Lelis ressalta que a economia do município de 70 mil habitantes (estimativa IBGE 2021) é movida pelo turismo gerado na época de romaria. Durante o período de suspensão do evento por causa da pandemia, no entanto, a região foi impactada pela ausência de visitantes.
“Hoteleiros tiveram que demitir funcionários, foi um estado bem caótico. A gente viu a realidade nos depoimentos dessas pessoas que trabalham com turismo de forma direta. O que sustenta uma parte dos recursos do município é a romaria. Existem pessoas que sobrevivem o ano inteiro com o dinheiro da romaria. Foi muito difícil”, lamenta.
A educadora Maria Helena Laranjeira, 55 anos, vive de perto o comércio em torno do evento desde pequena. A mãe, Dejanira, e a irmã, Tânia, trabalham há mais de 30 anos vendendo lembranças com temática da manifestação religiosa. Enquanto isso, o pai, Otaviano, vendia peixe seco e rapadura, elementos fortes na cultura festiva.
Como devota, Maria cita dois casos em que sentiu a intercessão do Bom Jesus. “Já tive muitos milagres em decorrência da fé em Bom Jesus, um foi minha filha Maria Vitória, ela teve um acidente de moto e foi arremessada no poste. Quebrou o maxilar e ficou um mês internada. Graças à fé no Bom Jesus […] ela está aí inteira, não tem outras sequelas. Em 2018 tive AVC [acidente vascular cerebral]. Perdi a fala, mas em nenhum momento perdi a fé. Quando consegui fazer minha primeira Ave-Maria e Pai-Nosso, vi que estava curada”, diz, emocionada.
A reportagem entrou em contato com a prefeitura de Bom Jesus da Lapa solicitando dados sobre o quanto a romaria movimenta no município e quais impactos têm no turismo. No entanto, não recebeu retorno até o fechamento da matéria.
Fonte: Correio 24 Horas
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Por iGuanambi
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Membros da Câmara de Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Natural da Bahia (CPHAAN) do Conselho Estadual de Cultura (CEC) entram em votação para aprovação hoje. Segundo o presidente da CPHAAN, Táta Ricardo, a validação é certa.
Ele ressalta que é preciso reconhecer a peregrinação de devotos ao santuário como especial, uma vez que é a maior romaria da Bahia, do Nordeste e terceira do Brasil. Assim como se consagra como a maior festa popular no estado depois do Carnaval.
Segundo Tavares, o município reúne mais de 2 milhões de turistas por ano, sobretudo entre 28 de julho e 6 de agosto, quando ocorre a programação oficial da romaria. O novenário é sucedido pela festa com missa festiva e procissão no último dia.
“A intenção é proteger para que não sofra nenhum tipo de ruptura, dano ou perda em sua própria identidade. Já é algo mantido na fé dos romeiros. O processo de registro especial, além de valorizar e reconhecer, visa a proteção da manutenção por toda vida. A Câmara, para além do registro, recomenda ao estado que […] efetive processo de tombamento por todo conjunto arquitetônico do patrimônio físico e natural que compõe o Santuário de Bom Jesus [gruta que deu origem à tradição]”, afirma.
O processo para reconhecimento da Romaria do Bom Jesus da Lapa como patrimônio imaterial da Bahia começou em 2017 pelo governo estadual. Após cinco anos, o registro especial foi concluído pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). Agora, está sob relatoria da conselheira Evanice Lopes e responsabilidade da Câmara de Patrimônio da Bahia, cuja função é emitir parecer final e aprovar a consagração. Depois da aprovação, o texto segue para homologação do governador e publicação no Diário Oficial.
“Com certeza vai ser aprovada, porque é uma das mais antigas do Nordeste, acontece há 331 anos. É muito justo a Câmara […] poder validar e solicitar registro”, assegura Táta.
TRADIÇÃO
O microempresário Leônidas Pereira, 64, foi criado em Bom Jesus da Lapa e mora em Brasília desde os 22 anos. No entanto, retorna anualmente para participar da peregrinação. Neste ano, chegará em 6 de agosto, dia no qual sai a procissão da Catedral Nossa Senhora do Carmo em direção ao Santuário Bom Jesus. O percurso tem 2 km e atravessa a cidade.
“Todo ano visito meu Bom Jesus. Cresci vendo o período da romaria. É impossível descrever a sensação. Na minha infância presenciei muitos milagres que aconteceram. Isso eleva a fé mais ainda. Bom Jesus da Lapa é a capital da fé na Bahia. Vou nessa ida só agradecer. Fico três dias só recordando minha infância e visitando os locais históricos”, diz.
“Para mim, que sou cristão, é muito gratificante ter esse privilegio de visitar todo ano”, reconhece.
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Em 2020 o casal visitou o local e Jianine pediu ao Bom Jesus para retornar. A advogada recebeu a resposta no ano seguinte: uma proposta para trabalhar como coordenadora de Direito em uma instituição no município.
“É minha primeira romaria, mas, me sinto parte integrante desta linda festa como se há muito tempo estivesse aqui. As demonstrações de fé são contagiantes. Não há como não se sentir integrante desse lugar. Viver esse momento é dádiva”, agradece.
HISTÓRIA E TURISMO
Ex-superintendente de Cultura de Bom Jesus da Lapa, o produtor cultural João Paulo Lelis conta que a fundação da cidade se fez em volta da religiosidade. Em 1961, o monge português Francisco de Mendonça Mar encontrou a forma de uma cruz em uma caverna da região. Foi onde construiu o que hoje é conhecido como Santuário do Bom Jesus. Ao longo do tempo, devotos construíram morada na região até formar a primeira cidade às margens do São Francisco.
“A Romaria do Bom Jesus me move, emociona”, declara.
Lelis ressalta que a economia do município de 70 mil habitantes (estimativa IBGE 2021) é movida pelo turismo gerado na época de romaria. Durante o período de suspensão do evento por causa da pandemia, no entanto, a região foi impactada pela ausência de visitantes.
“Hoteleiros tiveram que demitir funcionários, foi um estado bem caótico. A gente viu a realidade nos depoimentos dessas pessoas que trabalham com turismo de forma direta. O que sustenta uma parte dos recursos do município é a romaria. Existem pessoas que sobrevivem o ano inteiro com o dinheiro da romaria. Foi muito difícil”, lamenta.
A educadora Maria Helena Laranjeira, 55 anos, vive de perto o comércio em torno do evento desde pequena. A mãe, Dejanira, e a irmã, Tânia, trabalham há mais de 30 anos vendendo lembranças com temática da manifestação religiosa. Enquanto isso, o pai, Otaviano, vendia peixe seco e rapadura, elementos fortes na cultura festiva.
Como devota, Maria cita dois casos em que sentiu a intercessão do Bom Jesus. “Já tive muitos milagres em decorrência da fé em Bom Jesus, um foi minha filha Maria Vitória, ela teve um acidente de moto e foi arremessada no poste. Quebrou o maxilar e ficou um mês internada. Graças à fé no Bom Jesus […] ela está aí inteira, não tem outras sequelas. Em 2018 tive AVC [acidente vascular cerebral]. Perdi a fala, mas em nenhum momento perdi a fé. Quando consegui fazer minha primeira Ave-Maria e Pai-Nosso, vi que estava curada”, diz, emocionada.
A reportagem entrou em contato com a prefeitura de Bom Jesus da Lapa solicitando dados sobre o quanto a romaria movimenta no município e quais impactos têm no turismo. No entanto, não recebeu retorno até o fechamento da matéria.
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