O velho coração, que pulsava no mesmo ritmo do zabumba e do ganzá, parou de bater nesse fim tarde e início de noite em Morrinhos. O Menestrel do Terno de Reis mais famoso da região, que tocava seu oficio por devoção, que caminhava léguas noite a dentro e sertão afora, se encantou e virou história para ser contada aos meninos e meninas pelos amantes da arte popular.
Alziro Moreira de Almeida, morre aos 97 anos serenamente, como quem encontra a luz no fim de um caminho trilhado com devoção e coragem. A voz afinada das toadas reiseiras agora descansa. O velho Guerreiro que travou tantas batalhas ao lado da deputada Ivana Bastos pelo seu Distrito, guardava um sorrisão e um orgulho danado para entregar à amiga ilustre toda vez que ela ia lhe visitar e ela fazia questão de ir vê-lo sempre que podia.
Seu Alziro foi amante do “Reis” desde menino; com os olhos brilhando de felicidade ele passava horas a fio contando causos das grandes caminhadas que fez com seu “Terno” por mais de 75 anos, das disputas de cantorias, do aprisionamento de bandeiras quando dois ternos se encontravam e dizia: “Pra soltar uma bandeira presa por outro terno, o caboclo tinha que ser bom cantador!”. O Mestre dos Ternos de Reis, sempre viveu em Morrinhos, quando jovem era jogador de futebol e dos bons, jogou as grandes disputas da região; em Caetité, Brejinho das Ametistas e Guanambi.
Há mais de 30 anos, junto com Sebastião Pimentel e outros companheiros, criou o festival de Reis de Morrinhos, um dos maiores da região, que chegou a reunir de uma só vez, 30 ternos, numa disputa que começava no meio da tarde, entrava noite a dentro e terminava de madrugada.
Nunca apartou do seu Terno e do seu estilo tradicional de cantar o Reis; para ele, os instrumentos tinham que ser rústicos, feitos artesanalmente. Para cantar tinha que ter a “Ciência do Reis Verdadeiro”, que segundo ele tinha 114 versos e foi retirado da Bíblia. Para Seu Alziro, o rito tradicional da Folia de Reis não podia ser mudada e se compunha da Marcha de chegada, o Reis da Porta, o Reis da Lapinha, as contradanças, a Roda com versos e a marcha de retirada.
Conhecido por sua dedicação, ajudou a manter a tradição genuína e a divulgar o Reisado no Alto Sertão da Bahia. Seu Alziro deixa um legado extraordinário a seu explorado pelas futuras gerações, deixa uma marca indelével e inapagável no tempo, para contemplação de todos nós que aprendemos a admirá-lo pela sua arte e amor ao “Reis”.
A Benção Mestre! Que o céu lhe receba em festa, siga em paz amigo, pelo caminho da Luz!
O Deus menino cantado em seus versos; Maria, José e os Três Reis da bandeira que carregavas com tanta devoção, agora te esperam na porta da eterna morada, para o glorioso encontro com o Pai.
Por: José Roberto Teixeira
Fotos: Ricardo Prado e Gabriel Teixeira
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