O governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), anunciou novas condições para a determinação de regras de isolamento social nas diferentes cidades paulistas. Com isso, a quarentena total, determinada na segunda quinzena de março e prorrogada algumas vezes, deixará de valer para a maioria das regiões do estado a partir do dia 1º de junho.
O modelo foi chamado pelo governador de “retomada consciente”. A indicação da intensidade do isolamento em cada cidade será determinada pela densidade populacional, pelo número de casos e pela estrutura hospitalar disponível — principalmente leitos de UTI.
Serão cinco etapas de retomada, as chamadas fases, até que a volta à “normalidade controlada” seja alcançada. O governo elaborou um painel de acompanhamento da situação de cada etapa, disponível neste site.
“Hoje é o dia em que estamos anunciando a retomada consciente a partir do dia 1º de junho”, disse João Doria, ao abrir a coletiva. O governador disse que todas as políticas foram pautadas pela saúde e pela ciência. “É uma nova prática que vai permitir, em alguns lugares, a retomada gradual e segura”.
A retomada será possível nas cidades em que houver redução consistente no número de casos, estrutura disponível nos hospitais públicos e privados, e respeito ao distanciamento social. O governador alertou que os efeitos desse relaxamento serão monitorados, e que passos atrás podem acontecer.
O feriadão ajudou? Doria disse que a antecipação dos feriados, que criou uma mega folga de 6 dias, ajudou a ampliar a quarentena. “Nos feriados, o isolamento subiu 2%. Pode parecer pouco, mas não é. Esses 2% significam 880 mil pessoas que ficaram em casa, em isolamento social”, disse o governador.
João Gabbardo, ex-secretário do ministério da Saúde e agora conselheiro do comitê de Saúde governo de São Paulo, ressaltou a importância das medidas de isolamento. “Falar que as medidas tomadas pelos governadores e prefeitos foram ineficazes não é verdade, e isso precisa ser contestado. O número de casos é muito menor do que seria, se não tivéssemos tomado todas as medidas”, disse Gabbardo.
A conta do governo de São Paulo é que, no estado, 65 mil mortes foram evitadas desde o início da quarentena, e mais de 800 mil pessoas deixaram de ser contaminadas.
O relaxamento das medidas de isolamento social será feito em cinco etapas. Cada uma delas determina o funcionamento progressivo de diferentes atividades. Veja abaixo:
“Mesmo quando estiver tudo em funcionamento, enquanto não houver cura e uma vacina ainda será uma situação normal com medidas de higiene e afastamento”, disse Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico de São Paulo.
O funcionamento do transporte e das escolas será determinado caso a caso, e também atenderá a uma escala, que ainda será divulgada.
A maior parte do estado, inclusive a capital, entrarão na fase 2 a partir do dia 1º. A região metropolitana, a Baixada Santista, e a região do município de Registro e do Vale do Ribeira seguirão na fase 1, a mais restrita. Veja o mapa abaixo:
O governo paulista disse que avaliará a situação de cada região a cada 15 dias, para reajustar as fases. Poderá haver progressão ou recuo nas fases, de acordo com o número de casos e a estrutura de saúde. Cada classificação será determinada por decretos municipais.
O prefeito Bruno Covas (PSDB-SP) apresentou alguns indicadores levados em conta para justificar a classificação da capital na fase 2. A redução nos índices de trânsito e de emissão de notas fiscais em operações presenciais mostrariam que a cidade tem níveis maiores de isolamento.
Por esses critérios, o índice vem se mantendo acima de 55% desde o fim de março, e estaria acima de 70% desde a primeira semana de maio. É um número maior que o divulgado anteriormente pelo governo do Estado.
Covas disse que a prefeitura quadruplicou a disponibilidade de leitos em UTIs. Somadas as estruturas privadas e públicas, a cidade de São Paulo tem em torno de 90% dos leitos de alta complexidade ocupados.
Fonte: 6 Minutos
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